quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Estudantes se reúnem com Dilma e pautam investimentos em educação

Representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) reuniram-se com a presidente Dilma Roussef nessa quarta-feira (31). As duas bandeiras principais do movimento são a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e de 50% dos recursos do fundo social do pré-sal para a educação. Na parte da manhã, a Marcha dos Estudantes lavou a porta do Banco Central exigindo a redução dos juros.


 
José Cruz/ABr


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A demanda ocorre dois dias depois de o governo anunciar a ampliação em R$ 10 bilhões da meta de superavit neste ano. “O Brasil gasta um valor exorbitante com pagamento de dívida pública e gasta menos de 5% em educação”, criticou o presidente da UNE, Daniel Iliescu.

Além de mais investimentos, os estudantes também cobram o fim do analfabetismo até 2016, a garantia de recursos para a conclusão das obras do Reuni (programa de expansão universitária do governo federal), o reajuste imediato nos valores das bolsas para pós-graduação e a ampliação dos Institutos federais, entre outros.

Pauta extensa


“A presidenta não se pronunciou pontualmente sobre cada um dos os 43 itens da nossa pauta, mas determinou que os ministros Fernando Haddad (Educação) e Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência), presentes a reunião, ficassem responsáveis por nos dar uma resposta mais efetiva, em médio prazo”, disse o presidente da UNE, Daniel Iliescu. “Ela demonstrou particular simpatia pela nossa reivindicação de que metade do fundo social do Pré-sal seja destinado à área.”

"A presidente disse que está aberta ao debate e que é importante que a sociedade apresente suas demandas", afirmou o presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), Yann Evanovick, acrescentando que o local de debates será o Congresso, onde tramita o Plano Nacional de Educação (PNE).

A presidente da ANPG reforçou as bandeiras unitárias, pautou o reajuste das bolsas de mestrado e doutorado, há mais de três anos sem nenhum aumento e defendeu o fortalecimento do sistema nacional de bolsas: “apresentei à presidenta Dilma que, para além de financiar bolsas no exterior, como prevê o programa Ciência Sem Fronteiras, é importante que o governo apresente também uma política geral de formação científica para os jovens brasileiros. Intensificar programas como PIBIC e PET, ampliar o PIBIC Jr. e valorizar as bolsas de mestrado e doutorado seria essa sinalização. Ela respondeu que gostou da proposta, em especial da Iniciação Científica (IC), e que refletirá com muito carinho a respeito”.


Marcha dos Estudantes

A reunião dos estudantes com Dilma, no Palácio do Planalto, ocorreu após a Marcha dos Estudantes na Esplanada dos Ministérios. O protesto reuniu cerca de 20 mil pessoas e contou com a participação da líder estudantil chilena Camila Vallejo. Além das pautas específicas do movimento estudantil, o protesto também fez reivindicações no campo econômico. Os estudantes cobraram a queda da taxa de juros do Banco Central, o fim do superávit primário e a redução da jornada de trabalho sem redução de salário.

Da redação, Luana Bonone, com agências

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Camila Vallejo está no Brasil e concede entrevista à UNE

No Brasil à convite da União Nacional dos Estudantes (UNE), a estudante chilena Camila Vallejo concedeu uma entrevista ao site oficial da entidade estudantil brasileira, onde reforça seus ideais e sua militância além da universidade. "É preciso deixar para trás a ideia de que a política pertence a poucos, e se aproximar rapidamente de um cenário mais democrático a partir do qual poderemos construir e defender propostas pelas transformações que o Chile precisa".


Camila Vallejo no Brasil A estudante chilena Camila Vallejo / crédito: Wilson Dias/ABr


Quem acompanha os protestos estudantis no Chile e já teve a oportunidade de assistir vídeos, como o que está abaixo, sabe que Camila Vallejo não vacila. Esbanja conhecimento e pulso firme ao responder perguntas para a imprensa sobre a situação da educação em seu país e fala com convicção a respeito de uma grande unidade existente no Chile, quando explica o movimento do qual faz parte e que tem levado para as ruas, há mais de três meses, milhares de estudantes e trabalhadores. O presidente da UNE, Daniel Iliescu, teve a oportunidade de participar de um desses protestos, a greve nacional, nos dias 24 e 25 de agosto, com adesão de mais de 250 mil pessoas.

 
Camila destaca que essa manifestação foi a maior mobilização pós-ditadura e não foi convocada somente pelos trabalhadores de cobre, mas pela Central Unitária dos Trabalhadores (CUT), que se juntou aos estudantes universitários e secundaristas, aos trabalhadores do setor público, sindicatos de transportes, entre outros.

“O Chile tem um grito bastante recorrente em manifestações públicas que diz: ‘Avante, avante, trabalhador e estudante’. Eu acho que esta jornada de 48 horas de protesto, paralisação e de mobilização, representa muito bem o espírito por trás desse grito”, conta ao site oficial da União Nacional dos Estudantes (UNE) Vallejo, que é presidente da Federação dos Estudantes da Universidade do Chile (FECh).

Foi também durante esse levante, que resultou na prisão de milhares de manifestantes e na morte do jovem Manuel Gutiérrez, de 16 anos, que surgiu o convite da UNE para que Camila viesse ao Brasil se integrar à grande marcha dos estudantes brasileiros nesta quarta-feira, dia 31. Mesmo com a sua rotina frenética, ela topou a parada e está em Brasília para lançar a jornada continental de lutas da juventude latino-americana.

Essa rotina de manifestações tem ocupado quase a totalidade do tempo da jovem estudante, o que não impede, no entanto, de tentar levar uma vida normal. “Este ano, como presidente da FECh, pouco tempo me resta para qualquer coisa além da política e das responsabilidades de meu cargo. Mas, isso não significa que não esteja desfrutando da minha juventude. A política é uma atividade que pertence à sociedade como um todo, portanto, o trabalho de representar e ser parte ativa na mesma compete também aos jovens – com o compromisso, vitalidade e convicção que nos caracterizam”, pontua a aluna de geografia, que ganhou notoriedade internacional nos últimos meses.

O site oficial da UNE dá as boas vindas à Camila e deseja vida longa à luta dos estudantes chilenos. Abaixo, confira o bate-papo com a líder estudantil. Vale a pena conhecer um pouco mais dessa menina de 23 anos que tem mudado o rumo da política no Chile.

UNE: Como foi sua aproximação com a política? Como passou a militar no movimento estudantil?
Camila Vallejo: Desde muito jovem, minha família me formou com valores políticos de esquerda, como democracia e justiça social. Com esta sensibilidade à esquerda é difícil manter-se fora da política e dos espaços que permitem fazer a mudança, especialmente em uma sociedade tão desigual e injusta como a do Chile. Foi assim que me interessei em fazer parte da política, desde muito jovem. Tal vontade se acentuou com a entrada na faculdade, de onde, finalmente, veio a adesão à juventude comunista. A partir deste momento, comecei a ser uma parte ativa de um movimento que tem sido gestado com trabalho, empenho e companheirismo.

UNE: O movimento que se fortaleceu este ano é herdeiro da Revolução dos Pinguins em 2006? Quais são os elementos de continuidade e diferença?
CV: Eu não o chamaria de um herdeiro, mas, certamente, possuem uma relação. Em 2006, quando eu era caloura na Universidade do Chile, estudantes do ensino médio foram capazes de instalar na agenda política de Bachelet a questão da educação, com demandas que acabaram sendo tão profundas como mudar o modelo educacional que nos foi dado desde a ditadura militar. A principal diferença entre este movimento, é que, agora, podemos ver todos os setores sociais mobilizados. No começo, o movimento surge essencialmente nos setores universitários, depois vai tomando conta e se espalhando por todo país se transformando em uma das maiores mobilizações desde o retorno à democracia no Chile.

UNE: Qual é o balanço que você pode fazer como presidente da FECh (Federação dos Estudantes da Universidade do Chile), especialmente, nos últimos meses? Qual foi o estopim dessa nova onda?
CV:
Faria um balanço muito positivo. Por um lado, esta intensa mobilização nos impediu de avançarmos em alguns aspectos do nosso programa interno. Mas, os avanços que tivemos com a FECh são qualitativamente muito superiores ao ano anterior. Retomamos um papel importante para que os estudantes – e nossa Federação – voltassem a ser novamente atores políticos de importância nacional, cujas opiniões têm um impacto real nos debates históricos sobre a sociedade. Desta forma, temos reavaliado o valor da organização dentro de nossa própria universidade, transcendendo as barreiras estudantis e nos permitindo avançar e nos envolver ativamente nos debates. É preciso deixar para trás a ideia de que a política pertence a poucos, e se aproximar rapidamente de um cenário mais democrático a partir do qual poderemos construir e defender propostas pelas transformações que o Chile precisa.

UNE: A principal bandeira de luta é a educação de qualidade e gratuita para os jovens, certo? Como você enxerga o cenário ideal, levando em consideração a realidade de hoje no Chile?
CV: É claro que a educação gratuita é uma ideia política que queremos instalar, mas sabemos que não será uma realidade em curto prazo. Antes de tal transformação, é necessário promover uma reforma tributária que impeça a diferença socioeconômica entre ricos e pobres que há hoje no Chile. No entanto, lutamos contra um modelo essencialmente neoliberal, que vê a educação como um bem de mercado – como diz o próprio presidente do Chile – e não como um direito, visão intransigentemente defendida pela direita que chegou ao governo através de [Sebastian] Piñera. Esperamos mudar as raízes de um modelo educacional que nos mantém no subdesenvolvimento.

UNE: Neste momento, como estão as negociações com o governo, e quais são as principais conquistas do movimento?
CV:
Este governo tem se mostrado intransigente na hora de negociar sobre o modelo educacional que instalaram desde a ditadura militar. Não é só isso, tem se demonstrado disposto a levantar a face mais repressiva, não ouvindo as demandas legitimas e respaldadas por um movimento que as próprias pesquisas mostram ter uma aprovação superior a 80%. Até agora uma das grandes conquistas do movimento tem sido consolidar uma aprovação transversal e unificada na sociedade. Agora, depois de muitas pressões da nossa parte, estamos próximos de sentar à mesa e enfrentar cara a cara um diálogo com o presidente. Esperamos que neste espaço possamos avançar em questões concretas sobre nossas reivindicações. E que não voltem a faltar com respeito ao movimento, com uma soma de dinheiro cheia de ambiguidades, que não nos garante nenhum dos princípios que já defendemos nas ruas há três meses.

UNE: Há quanto tempo a Universidade não é mais gratuita no Chile? Explique melhor a questão do endividamento dos alunos.
CV:
Desde a ditadura militar, que foi quando mudou o modelo educacional no Chile. O Estado deixou de ser responsável pela educação em todos os níveis e tem um papel meramente subsidiário, deixando o trabalho para o ensino privado, a quem também é concedido o direito de lucrar o dinheiro de todos os chilenos, sob o pretexto de garantir a "liberdade de ensino". Como hoje a educação não é concebida como direito, mas sim como um bem de consumo, para obtê-la é preciso pagar. E como as universidades públicas não recebem aportes do Estado para a altura dos seus orçamentos, elas têm sido forçadas a se envolver em autofinanciamento, o que significa, em palavras simples, que o seu faturamento vem principalmente das taxas pagas pelas famílias. Neste contexto, as quantias necessárias para que as universidades possam realizar seu trabalho é muito mais alta em comparação aos rendimentos recebidos por famílias chilenas. Por isso hoje, basicamente, quem quer estudar tem que se endividar, porque somente uma pequena porcentagem da sociedade tem condições de pagar altos preços pelos estudos.

UNE: Quais são as outras questões do debate? Dentro do movimento estudantil estas questões já ultrapassaram a questão educacional?
CV: Um movimento social desta magnitude exige ao governo e ao parlamento governar de acordo com as demandas que estão se defendendo nas ruas. Pode-se notar que a democracia no Chile não dá a possibilidade de se fazer uma sociedade verdadeiramente participativa. Desta maneira, surgem automaticamente demandas por mais democracia e reformas constitucionais relevantes para atingir esse objetivo, por exemplo, que nos permitam deliberar como nação por meio de um plebiscito vinculativo. Lembramos que a Constituição chilena foi feita durante a ditadura e sem o apoio da nação. Uma situação terrível para um país que se diz passar vinte anos vivendo em uma democracia.

UNE: Ocorreu no começo de agosto, no Uruguai, o 16 º OCLAE, com a participação de milhares de estudantes de todo o continente. Qual a sua opinião sobre um intercâmbio político mais eficaz entre os estudantes da América Latina?
CV: Entendo que é absolutamente necessário. Os estudantes são atores políticos presentes na América Latina. Por isso, é claro que a nossa política deve convergir no mesmo sentido de que os diferentes países deveriam se alinhar em torno de demandas que, evidentemente, nos convocam por igual, dada as semelhanças de uma região em subdesenvolvimento, produto do capitalismo e da opressão que os EUA geram sobre nós até hoje. Instâncias como o OCLAE devem ser muito mais presentes, tanto para estudantes como para todos os tipos de organizações latino-americanas.

UNE: A UNE convidou você para a “Marcha dos Estudantes” brasileiros, que irá encerrar o "Agosto Verde Amarelo", série de manifestações que defendem que 10% do PIB e 50% do fundo social do pré-sal do Brasil sejam destinados para a educação. Vocês estão defendendo no Chile algo parecido com isso em relação ao cobre, não é?
CV: De fato, há semelhanças nas reivindicações. O Chile é um país muito rico em recursos naturais, o que não condiz com os baixos níveis de habitação, saúde e educação, entre outros. Isso se deve, principalmente, à privatização dos recursos naturais, e a enorme condescendência que se tem este setor. Trata-se de compensação tributária. Quando exigimos um aumento substancial dos recursos públicos na educação, nos perguntam frequentemente “e onde obteremos esses recursos?” Do cobre, respondemos. Da nacionalização de nossos recursos naturais.

UNE: Sabemos que estuda Geografia. Em que período da formação você está? Você consegue conciliar os estudos e a militância?
CV: Já sou graduada em Geografia e sem dúvida ser presidente da FECh significou um custo acadêmico que, desde a minha nomeação para o cargo, estive disposta a assumir. O trabalho político exige bastante tempo e dedicação, mas não inviabiliza o trabalho acadêmico na medida em que você se organiza. No entanto, a militância é algo que vai muito além do meu tempo na universidade, é um compromisso para a vida, que sempre significará sacrifícios de toda espécie. Obviamente, nem todo mundo está disposto a assumir isso, mas de minha perspectiva comunista, creio que não só vale a pena, como é imprescindível na luta por um país mais justo.

UNE: Após os primeiros protestos, a mídia manifestou com mais frequência, ou com maior ênfase, a questão da sua beleza física, em detrimento de suas qualidades e habilidades intelectuais. Isso te incomoda?
CV: Esses tipos de ataques vieram principalmente dos setores de direita, que têm o domínio da grande maioria dos meios de comunicação e, em minha opinião, representam uma estratégia bastante covarde, baixa e, sobretudo, fracassada, para desacreditar um movimento que hoje está mais forte do que nunca. Me parece que ainda há meios essencialmente machistas e misóginos que tentam fazer disto um tema. O movimento, a sociedade e o Chile têm sido capazes de avançar, valorizando muito mais a clareza de conteúdo e a transversalidade do apoio, do que aquilo que eles chamam de "um rostinho bonito". Como disse, parece-me um despropósito argumentar que, com os níveis de organização, solidez e transversalidade do debate sobre educação e democratização no Chile, a aparência física ainda seja assunto.


Fonte: UNE

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Mais de meio milhão de pessoas protestam no Chile

Cerca de 600 mil pessoas saíram às ruas do Chile na quinta-feira (25) no segundo e último dia de greve geral no país, convocada pela Central Unitária de Trabalhadores (CUT). Ao longo da jornada, houve intensos confrontos entre policiais e manifestantes, com dezenas de feridos.


Assim como no primeiro dia de greve, após os panelaços em apoio às reivindicações sindicais e estudantis ocorridas em Santiago e em outras cidades, houve enfrentamentos entre as forças repressivas e os manifestantes.

A rádio Bíobio informou durante a noite de quinta que, em várias zonas periféricas da capital, foram ouvidos tiros, enquanto centenas de trabalhadores tiveram de voltar para casa a pé devido à paralisação do transporte público.

Horas antes desses incidentes, o governo indicou que os protestos desta quinta-feira congregaram 175 mil pessoas em todo o país, mas a CUT cifrou em 600 mil o número de manifestantes que se mobilizaram em nível nacional.

O balanço oficial foi divulgado pelo subsecretário do Interior, Rodrigo Ubilla, no Palácio de La Moneda (sede do governo). Ele destacou que os incidentes deixaram 25 policiais e um civil ferido, mas não detalhou se todas essas vítimas correspondem aos enfrentamentos registrados na capital chilena. Em relação ao número de presos, Ubilla afirmou que a polícia prendeu 210 pessoas em todo o Chile, 140 delas na região metropolitana de Santiago.

A greve de 48 horas foi convocada pela CUT sob uma plataforma de reivindicações que vão desde reformas constitucionais até um aumento de impostos para as empresas, além de um fundo de previdência estatal e mais recursos para saúde e educação.

De manhã, os estudantes chilenos, mobilizados desde maio passado para reivindicar educação pública e gratuita e melhorias no ensino, apoiaram as passeatas organizadas pela CUT. A presença juvenil predominou de forma notória nas marchas, que em Santiago confluíram desde quatro pontos rumo a uma intersecção central da Alameda Bernardo O'Higgins, principal artéria viária da cidade, de forma pacífica e em um ambiente festivo.

As passeatas foram marcadas por situações anedóticas, como a presença de um grupo de prostitutas que carregavam um letreiro com os dizeres "Piñera não é nosso filho".

O ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, refletindo a posição reacionária do governo direitista de Sebastian Piñera, afirmou nesta quinta-feira à imprensa: "Esta greve não significou nenhum benefício para nosso país, mas muito pelo contrário, causou muita dor e sofrimento para muitos compatriotas, um retrocesso interno na imagem externa de nosso país".

Já o presidente da CUT, Arturo Martínez, afirmou em entrevista coletiva que, como entidade sindical, os trabalhadores têm "a esperança de que o governo, depois deste golpe que recebeu, consiga refletir e se abra ao diálogo para buscar uma saída à atual situação".

Por sua vez, a presidente da Federação de Estudantes do Chile (FECH), Camila Vallejo, que também participou da passeata junto aos estudantes, disse: "se o governo quer diálogo, tem de nos reconhecer como contraparte válida".

O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Iliescu, também participa desde a madrugada da última quinta-feira (25) da agenda de paralisação nacional chilena. Durante uma marcha que reuniu cerca de 250 mil pessoas, em Santiago, na manhã desta quinta-feira (25), o representante dos estudantes brasileiros foi convidado por Camila a discursar. Daniel ainda acompanhou a presidente da Federação dos Estudantes Chilenos durante todo o dia de mobilização.

Assembleia Constituinte
Historiadores chilenos respaldaram o chamamento a uma Assembleia Constituinte reiterado pelo povo nas mobilizações, que abriram um momento novo da história do país.

Os acadêmicos explicaram que o que nasceu como um movimento estudantil e de aparência setorial tornou-se um movimento social, de caráter revolucionário antineoliberal.

Destacaram nesse sentido como as ruas e praças ao longo do Chile se transformaram nas artérias onde fluem milhares de cidadãos demandando mudanças substanciais no paradigma econômico, no caráter e papel do Estado e na institucionalidade do país.

Os acadêmicos escreveram um manifesto defendendo a unidade do movimento de protesto e instaram a que este movimento não seja visto como algo simplificado e unicamente conjuntural com relação ao atual governo da direita no Chile. Pedem para que se tenha clareza de que o país vive um momento de um processo histórico em que a vontade popular de mudar o modelo social e político tornou-se algo transcendente.

Assinam o manifesto os historiadores Karen Alfaro, Fabián Almonacid, Pablo Artaza, Mario Garcés, Sergio Grez, Angélica Illanes, Alexis Meza, Ricardo Molina, Julio Pinto, Gabriel Salazar y Verónica Valdivia.

Com agências


Fonte: vermelho

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

UJS + Linhares + ES <> Mais Uma Vitória da Juventude!!!

Vitória dos Estudantes!

Prefeitura recua e a Faculdade de Ensino Superior de Linhares - FACELI, terá vestibular em 2011.

Vermelho capixaba
Luta pela FACELI", Dois anos de intenças Mobilizações até a vitória!
Na última quinta-feira os estudantes de Linhares, norte do estado, conquistaram uma grande vitória ao garantir o vestibular da FACELI – Faculdade de Ensino Superior de Linhares. O anuncio do prefeito foi comemorado pelo Grêmio do Colégio Estadual e pelo CA de Direito da FACELI.

Desde 2009, quando o então recém empossado Prefeito de Linhares, Guerino Zanon, cancelou o vestibular, os estudantes coordenados pelas entidades estudantis foram pra rua para impedir o fechamento da faculdade.

Foram cerca de dois anos de varias passeatas na frente da Prefeitura e intensa mobilização de vários setores da sociedade. Ampliando a Luta o GREMECE (Grêmio do Estadual) e o CA de Direito, conseguiram ganhar a opinião pública para manter a FACELI em funcionamento.

Guerino Zanon, que atualmente é proprietário do prédio que funciona a única faculdade privada de Linhares, foi o maior opositor da idéia, mas diante pressão liderada pelos estudantes, teve que recuar e anunciar as seguintes medidas:


1. Em junho próximo haverá vestibular com 100 vagas para Direito, 100 para Administração e 100 para Pedagogia.
2. A Faceli será transferida para a Escola Roberto Calmon, no bairro Aviso, até que fique pronta a sede própria, que será construída no terreno doado (em 2008) pelo Governo do Estado. A previsão é que a obra seja concluída até o final de 2012.
3. O investimento no acervo da biblioteca será priorizado.
4. Os alunos que estão estudando na Pitágoras, através das bolsas, têm o direito assegurado de continuar.
5. Não serão compradas mais bolsas de estudo além das 300 que foram compradas para os universitários que estão na Pitágoras.

Os estudantes estão de parabéns pela exemplar persistência em garantir a universidade pública gratuita e municipal em Linhares.

Veja abaixo a nota Pública do Grêmio Estudantil do Colégio Estadual - GREMECE

Vencemos! A FACELI é Nossa!

O Grêmio Estudantil do Colégio Estadual agradece o apoio dos estudantes e de todos os cidadãos envolvidos na causa da Faceli. – “Foram dois anos de muita luta pela sobrevivência da Instituição, mas com determinação e perseverança, conseguimos alcançar nosso grande objetivo, que é garantir a oportunidade aos jovens linharenses de ingressar no ensino superior público, de qualidade, e para todos”.

Desde o início acreditamos que as autoridades competentes iam primar pela manutenção da Faculdade, uma vez que esta sempre esteve em condições de funcionar, e só estava na dependência de decisões políticas.

A abertura do vestibular proporciona a continuidade da Instituição e o acesso ao ensino superior de forma sólida e concreta.

Consideramos também que o apoio da OAB Linhares, na pessoa do presidente Petrius Belmok, de sete vereadores que aderiram a causa, representantes do Ministério Público, e do presidente do Centro Acadêmico da Faceli, Daniel Porto e o Diretor da UBES, Marcos Paulo e Diretora da UESES, Jaciara Celestrini, foram essenciais para que essa proposta de revitalização da Faceli pudesse ser anunciada.

Estamos satisfeitos com essa conquista e reafirmamos nosso apoio a todos os estudantes e àqueles que lutam por um ensino público gratuito e de qualidade para todos!

Lutaremos sempre para alcançarmos nossos direitos.

Parabéns a todos!

Grêmio Estudantil do Colégio Estadual - Gremece


Veja o Vídeo das manifestações:

http://www.youtube.com/watch?v=x43NRHNVG8M

Fonte: Portal Vermelho.org.br

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Entrevista: Renata Petta

Nesta entrevista ao site ujs.org.br, Renata Petta, diretora de movimento estudantil universitário da UJS, fala sobre o movimento estudantil sob o governo Lula, aponta perspectivas de lutas a serem travadas pelos avanços no próximo governo e sobre o CONEB e a Bienal da UNE.

O atual governo termina este mês. Quais avanços e limites você apontaria neste ciclo que se encerra?

RP: Algumas características do governo Lula foram marcantes e acabaram por delinear um novo momento para o país. Uma delas é o trato democrático, de diálogo franco com os movimentos sociais, de que são prova as dezenas de conferências realizadas e a abertura do presidente e dos ministérios para receber as demandas trazidas pelos movimentos, sendo algumas atendidas e outras, não.

O movimento estudantil, por meio da UNE e da UBES, também soube se colocar à altura do momento: recusaram o atrelamento, pressionaram por mudanças e fizeram as críticas sempre que necessário (o Meirelles que o diga); mas também não se furtaram a apoiar as coisas positivas, como o ProUni, o Reuni etc. E é importante dizer que essa política autônoma produziu conquistas, como a ampliação das federais, o novo FIES, o Plano Nacional de Assistência Estudantil e outras. Aliás, recentemente foram duas das mais emblemáticas: o reconhecimento da responsabilidade do Estado e a conseqüente reparação à UNE em relação à sede no Flamengo e a conquista dos 50% do Fundo do Pré-Sal para a educação.

A eleição de Dilma representou a vitória deste projeto iniciado por Lula. Quais são as expectativas agora?


RP: A expectativa principal é por mais avanços, é para isso que vamos lutar. A própria Dilma disse, na campanha, que para ela continuar este projeto significava “avançar, avançar e avançar”. É isso que vamos cobrar. Até porque, se é verdade que o Brasil tem mudado para melhor, é também verdade que persistem obstáculos importantes para darmos definitivamente um salto adiante.

A universidade pública ainda é para poucos, tem muito que melhorar e ser repensada para que esteja concatenada a um projeto nacional de desenvolvimento voltado para os interesses do Brasil e dos brasileiros. Para conseguir este novo patamar será preciso muita luta do movimento social, coisa que se faz nas ruas, ganhando a população para esse projeto. Por isso, vamos convocar uma grande Jornada de Lutas dos estudantes já para o início de 2011, buscando entre outras coisas a aprovação do Plano Nacional de Educação.

O CONEB, a Bienal e o Encontro de Grêmios acontecem no primeiro mês do novo governo. Tem relação com isso que você dizia acima?

RP: É claro. A UJS encarou desde o início estas atividades como o cartão de visitas do movimento social para o novo governo. Porque há o perigo, como nosso campo venceu as eleições, de pender para a mera continuidade. Nós dizemos que não: esta não é a última atividade sob governo Lula, mas sim a primeira sob governo Dilma. Isso faz toda a diferença.

Será também um momento especial para aprovar uma plataforma que sinalize o que os estudantes querem de conquistas no governo Dilma e para o lançamento dessa Jornada de Lutas. Por isso, a mobilização de milhares de CAs e DAs é decisiva para o sucesso da atividade. Por fim, serão eventos que podem inaugurar uma nova marca do movimento estudantil brasileiro: mobilização de milhares de estudantes – universitários, secundaristas e pós-graduandos – de maneira unificada no início do ano.

Como parte de tudo isso, nessa ocasião vamos lançar nosso movimento para o Congresso da UNE, certo?


RP: É verdade. Utilizaremos toda essa efervescência política para apresentar aos estudantes o movimento que a UJS protagonizará para o Congresso da UNE. É bom que se diga que esse movimento já está em curso nas universidades e está ligado a este clima de conquistas que expus antes.

Falta ainda sintetizarmos esse conjunto de idéias em um nome, como foi o “Da Unidade Vai Nascer a Novidade” no último período. Um nome que traga a idéia deste momento que vamos viver e seja capaz de mobilizar estudantes em todo o Brasil. Aliás, quem quiser contribuir para acharmos esse nome, pode começar aqui mesmo no nosso site.

Fonte: UJS.org.br

terça-feira, 5 de outubro de 2010

UJS + Linhares + ES, agora no ar <> Madureira merece processo!



Ao lado de Diogo Mainardi, Marcelo Madureira, do Casseta&Planeta, chama Lula de "picareta e vagabundo" em programa da GloboNews. Não dá para ter sangue de barata diante de uma leviandade desta numa concessão pública. O PT deveria entrar com ação na Justiça contra o "falso humorista" da TV Globo e do Instituto Millenium.

Fonte: altamiroborges.blogspot.com

UJS + Linhares + ES <>Católicos condenam perseguição contra PT e Dilma

O jornal Valor Econômico revelou em sua edição de segunda-feira que alas minoritárias da Igreja Católica têm desrespeitado a orientação da Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ao pregarem vetos a nomes de políticos e de partidos nas eleições deste ano.

Segundo a reportagem, padres de São Paulo têm feito sermões contra o voto em candidatos do PT e em especial contra a candidata a presidente pela coligação Para o Brasil Seguir Mudando, Dilma Rousseff. A campanha desautorizada pela CNBB se baseia em informações mentirosas de que a petista é a favor do aborto.

Em inúmeras oportunidades, Dilma afirmou seu respeito pela vida e que disse que é pessoalmente contra o aborto, porque o considera uma violência contra a mulher. Em recente encontro com as lideranças cristãs em Brasília, Dilma foi ainda mais clara: “Não sou a favor de um plebiscito porque ele dividiria a nação entre aqueles que defendem e aqueles que são contra o aborto. A legislação existente hoje pacifica todas as posições. Eu sou contra mudar a lei”, enfatizou.

O Valor Econômico revela que o cardeal-arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, em 20 de agosto, enviou um comunicado a todos os padres de dioceses esclarecendo que os representantes da Igreja não devem se envolver publicamente na campanha partidária, nem "fazer uso instrumental da celebração litúrgica para expressão de convicções político-partidárias".

Dignidade

Dom Odilo sugere, ainda segundo a publicação, que padres e bispos orientem os fiéis a votarem em candidatos afinados com os princípios cristãos, "sobretudo no que diz respeito à dignidade da pessoa e da vida, desde a sua concepção até à sua morte natural", mas alerta para que não indiquem nomes.

Dom Demétrio Valentini, bispo de Jales, foi o clérigo que reagiu de forma mais direta e clara ao que chama de "trama" da Regional Sul 1 da CNBB, segundo a reportagem do Valor.

À sua diocese, Dom Demétrio tem encaminhado sucessivos artigos contra documento da regional. "Não é bom para a democracia que alguns decidam pelos outros (...) mas é pior ainda para a religião, seja qual for, pressionar os seus adeptos para que votem em determinados candidatos, ou proibir que votem em determinados outros em nome de convicções religiosas (...) Portanto, seja quem for, bispo, padre, pastor, ninguém se arrogue o direito de decidir pela consciência do outro, intrometendo-se onde não lhe cabe estar". O artigo de Dom Demétrio, divulgado dia 19/09, traz o título "Pela liberdade de consciência".

A CNBB nacional encerrou sua participação no episódio com nota em que desautoriza qualquer decisão contrária à da Assembleia Geral, que não vetou candidatos ou partidos. Em São Paulo, segundo o Valor, remanescentes da Igreja progressista estão pasmos. "Nunca houve uma campanha eleitoral com tanta manipulação da religião", lamenta um deles, lembrando que isso aconteceu também, e fortemente, com a Igreja Evangélica.